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Atividade de reflexão - Pós-Abolição

O trecho abaixo foi extraído do livro "Cidade Febril", escrito pelo historiador Sidney Chalhoub. Trata dos mecanismos de coerção dos trabalhadores negros no pós-abolição.


Nesse momento de incerteza em relação ao que poderia acontecer, a primeira invenção que permitiu pensar a organização das relações de trabalho em novos termos após a abolição foi a "teoria" da suspeição generalizada — que é, de fato, a essência da expressão "classes perigosas". Já que não era mais possível manter a produção por meio da propriedade da própria pessoa do trabalhador, a "teoria" da suspeição generalizada passou a fundamentar a invenção de uma estratégia de repressão contínua fora dos limites da unidade produtiva. Se não era mais viável acorrentar o produtor ao local de trabalho, ainda restava amputar-lhe a possibilidade de não estar regularmente naquele lugar. Daí o porquê, em nosso século, de a questão da manutenção da "ordem" ser percebida como algo pertencente à esfera do poder público e suas instituições específicas de controle — polícia, carteira de identidade, carteira de trabalho etc. Nenhum desses elementos estava no cerne da política de domínio dos trabalhadores na escravidão; na verdade, até 1871, não existia sequer algum registro geral de trabalhadores.

(Sidney CHALHOUBCidade febril : cortiços e epidemias na Corte imperial. — São Paulo : Companhia das Letras, 1996, p.23.)


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